A reforma tributária no Brasil, após décadas de debates, finalmente caminha para redefinir o modo como empresas lidam com impostos. No centro dessa profunda transformação está o Imposto sobre Valor Adicionado, ou simplesmente IVA, subdividido no Brasil em dois grandes tributos: CBS e IBS. Embora a promessa seja um sistema mais simples e transparente, as mudanças na gestão fiscal e nas rotinas das empresas são profundas – e, às vezes, confusas. Este artigo vai mostrar, de forma didática, o que é o IVA, como ele opera, exemplos reais de cálculo e aproveitamento de créditos, o impacto para diversos tipos de empresa, desafios, benefícios e o apoio de soluções como a Evollux Tax Technology nesse cenário em evolução.
O significado prático do IVA
“Nunca mais vai ser como antes”, pensou um contador ao analisar as mudanças propostas na reforma tributária. E não é exagero.
O IVA, já adotado por mais de 170 países, busca simplificar e racionalizar a tributação sobre o consumo. Na prática, esse modelo substitui a multiplicidade de impostos sobre bens e serviços por um tributo único (ou quase único), incidindo somente sobre o valor adicionado em cada etapa da cadeia produtiva.
O objetivo é acabar com a chamada “tributação em cascata”.
Atualmente, o sistema brasileiro causa distorções e dificulta a transparência dos custos tributários, prejudica a competitividade das empresas e incentiva a informalidade. O novo formato, amparado pelo IVA, visa atacar exatamente esses gargalos.
Como funciona o IVA: uma explicação clara
O Imposto sobre Valor Adicionado incide sempre sobre a diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição de insumos. Ou seja, cada elo da cadeia paga imposto apenas sobre o valor que realmente acrescenta ao produto ou serviço.
- O produtor compra matéria-prima e paga imposto sobre ela;
- Ele produz, agrega valor e vende para um distribuidor, pagando imposto apenas sobre o valor que acrescentou;
- E assim sucessivamente, até o consumidor final.
Se uma empresa já pagou imposto sobre um insumo, poderá descontar esse valor do IVA a ser recolhido na venda do produto final. Isso se chama crédito fiscal.
Você só paga tributo sobre o que realmente construiu de riqueza.

O IVA na reforma tributária brasileira
De acordo com explicações da BBC News Brasil, a proposta nacional prevê um modelo chamado “IVA dual”, formado por:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – de competência federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – de competência estadual e municipal.
Esses novos tributos vão suprir cinco impostos, hoje grandes desafios para a contabilidade empresarial: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.
Além do objetivo de pôr fim ao efeito cascata, o Governo Federal visa uniformizar as regras por todo o território nacional, simplificar obrigações acessórias (como SPEDs e XMLs de notas fiscais) e facilitar a vida de quem empreende, trabalha com contabilidade, consultoria ou auditoria tributária.
Por que um IVA dual?
A escolha por dois tributos, um federal e outro subnacional, reflete o pacto federativo brasileiro. Estados e municípios querem, afinal, manter autonomia financeira.
A experiência internacional mostra que há modelos centralizados (um único imposto nacional) e modelos duais (como Canadá e Índia), onde diferentes entes arrecadam separadamente.
No Brasil, CBS e IBS caminham lado a lado – com regras comuns, mas destinatários distintos.
Split payment: a tributação onde ocorre o consumo
Algo inovador é o modelo de split payment. O sistema identifica onde a operação é consumida e reparte o tributo entre o ente federativo correspondente ao local. Se um serviço é contratado por um consumidor no Paraná, por exemplo, o IBS vai integralmente para o estado do Paraná, apesar da empresa emitir nota de São Paulo.
Essa solução minimiza a guerra fiscal e reduz a complexidade para empresas que atuam em vários estados.
O processo de transição: como será a mudança de sistema?
Se há algo que preocupa empresários e contadores, é a transição. Afinal, por alguns anos, os sistemas antigo e novo vão coexistir, exigindo atenção redobrada na apuração dos impostos e na escrituração fiscal.
A CNN Brasil ressalta que essa coexistência pode aumentar a complexidade, sobretudo para pequenas e médias empresas (PMEs), que precisarão reavaliar processos, controles e sistemas fiscais segundo análise da CNN Brasil.

Etapas da transição
- Em 2026 começa a CBS, com uma alíquota teste de 1%.
- O IBS entra já com valores reduzidos, também para testes.
- De 2027 a 2032, os tributos “velhos” (PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI) são gradualmente substituídos pela CBS e IBS.
- Em 2033, o modelo novo predomina, encerrando a transição.
Nesse período, empresas terão de manter registros e conformidade dupla: calcular, gerenciar e guardar documentos para os dois sistemas.
Alíquotas do novo IVA
O novo modelo trará alíquotas ainda a serem definidas totalmente, mas as projeções apontam para uma soma entre CBS e IBS que deve chegar aproximadamente a 25%. Esse percentual aproxima-se da média internacional. Há, no entanto, setores com tratamentos diferenciados e regimes simplificados previstos (como para educação e saúde).
Para cada negócio, a conta será única. Planejamento é indispensável.
Principais mudanças para empresas: exemplos práticos
Na teoria parece simples, mas como o IVA muda o cotidiano das empresas? Vamos ver situações comuns e como elas ficarão a partir da implantação do novo sistema.
Apuração do imposto na cadeia de produção
Imagine uma indústria que compra matéria-prima (R$ 500 mil), transforma e revende pelo valor de R$ 1 milhão para um atacadista:
- No modelo antigo, o imposto poderia incidir, de novo, sobre todo o valor da venda, gerando “tributação em cascata”.
- Com o IVA, a empresa paga imposto sobre o valor agregado (R$ 500 mil, diferença entre R$ 1 milhão e R$ 500 mil).
O crédito fiscal é o alicerce do sistema do IVA.
Dedução de créditos tributários
Cada compra documentada por nota fiscal eletrônica permite gerar créditos de imposto. Quando a empresa vende, calcula o tributo a recolher e deduz o valor do “crédito acumulado” nas aquisições anteriores.
- Se vende por R$ 1 milhão, mas tem créditos sobre R$ 500 mil em insumos, tributa apenas os R$ 500 mil de valor novo adicionado.
No dia a dia, isso exige controle preciso sobre recebimento, guarda e conferência de documentos fiscais.
Exemplo aplicado ao comércio e ao serviço
Um comércio varejista compra de diversas indústrias, vende ao consumidor final e pode deduzir créditos do que pagou nas suas compras, reduzindo o IVA devido sobre as vendas.
No setor de serviços, há maior preocupação porque, na etapa final, o crédito usualmente é pequeno, já que o serviço não “consome” insumos tributados. Nesse ponto, empresas precisarão reexaminar custos, margem e competitividade.

Notas fiscais eletrônicas: novo protagonismo no IVA
As NF-es sempre foram fundamentais, mas o IVA as transforma em peça-chave da apuração tributária. Sem o documento fiscal eletrônico, não há como comprovar o direito ao crédito nem como validar a operação perante o Fisco.
Na prática:
- Empresas terão que investir em sistemas ágeis de escrituração;
- Regimes especiais precisarão ser revistos para garantir legibilidade e oportunidade de aproveitamento de créditos;
- Nota sem registro? Crédito perdido.
No IVA, a regularidade do documento fiscal vale dinheiro.
O papel do crédito fiscal e sua gestão correta
Crédito fiscal não é promessa; é realidade, se a empresa estiver atenta. Ele nasce a cada etapa, desde a compra de matérias-primas até custos com energia, insumos e serviços tomados.
Como calcular e aproveitar créditos
O cálculo é basicamente: somar os valores de imposto pagos nas aquisições e descontá-los do imposto devido nas vendas. Mas, sempre há um senão, cada tipo de despesa precisa ser muito bem classificada e documentada.
- Produtos intermediários (que participam do processo produtivo);
- Energia elétrica;
- Serviços tomados com nota fiscal eletrônica;
- Despesas admitidas pelo regulamento do IVA.
Para um escritório de contabilidade ou departamento fiscal, significa revisar todas as políticas de guarda de arquivos digitais, ter processos claros de conferência e, talvez, reclassificar o plano de contas para identificar o que gera ou não crédito.

Impactos para escritórios contábeis, consultorias e departamentos fiscais
Quem trabalha com gestão tributária sente: toda mudança exige preparo técnico, novos conhecimentos e atualização de rotinas. No modelo do IVA, porém, o salto é considerável.
Entre os principais impactos e desafios:
- Revisão dos sistemas de escrituração digital e arquivamento de documentos fiscais (XML de notas, SPEDs, etc.);
- Necessidade de treinar equipes e reprogramar parametrizações internas;
- Obrigações acessórias serão simplificadas, mas isso implica reaprender fluxos de informação e integração com órgãos reguladores;
- Busca ativa por soluções tecnológicas que identifiquem oportunidades e riscos em bancos de dados, como faz a Evollux Tax Technology.
O domínio da informação digital passa a ser vantagem competitiva.
Segundo análise da FGV Jr., empresas que conseguem gerar créditos ao longo da cadeia tornam-se mais atrativas, pressionando os pequenos fornecedores a se modernizarem para não perder clientes.
Competitividade e compliance
Ser capaz de apurar corretamente, aproveitar todo crédito devido e comprovar conformidade torna-se critério para fechar contratos, obter financiamentos e permanecer no mercado.
No novo cenário, o “erro” na apuração do IVA pode custar caro, perda de crédito, autuação ou até bloqueio de operação.
A importância das soluções tecnológicas na era do IVA
Em face desse contexto, startups como a Evollux Tax Technology surgem como apoio estratégico, tanto para manter conformidade quanto para aproveitar oportunidades legítimas de redução de cargas tributárias.
A Evollux usa inteligência artificial para coletar, processar e analisar grandes volumes de dados fiscais – como XMLs de notas fiscais e cupons fiscais, informações de SPEDs variados, obrigações acessórias. Isso permite:
- Identificar oportunidades de créditos tributários antes desperdiçados;
- Detectar riscos e inconsistências em tempo real;
- Automatizar rotinas que, sob o IVA, exigirão cada vez mais precisão e agilidade;
- Mapear pontos de atenção durante a transição e desenvolver estratégias preventivas.
Informação rápida e confiável faz toda a diferença. E o IVA cobra isso.
IVA para PMEs, autônomos e MEIs: impactos e cautelas
Segundo reportagem da CNN Brasil, pequenos empreendimentos e MEIs ficam, em regra, isentos dos novos encargos do IVA. Mas há armadilhas na adaptação ao novo contexto.
Durante a transição, PMEs terão de lidar com obrigações relativas tanto ao sistema antigo quanto ao novo, sobretudo se ultrapassarem limites de faturamento que as enquadrem no novo regime.
- Pequenos negócios que não geram créditos fiscais para seus clientes podem perder competitividade para concorrentes maiores, geradores de crédito;
- Recomenda-se, a quem atua como fornecedor em grandes cadeias, buscar se enquadrar no regime do IVA ou reestruturar operações para não cair em desvantagem comercial.
A FGV Jr. menciona que a migração exige análise detalhada das atividades e o quanto será possível aproveitar de descontos tributários. Isso pode, sim, ser menos interessante para pequenos negócios muito dependentes de margens baixas ou com pouca estrutura fiscal.
O IVA muda prioridades e planejamento até onde, antes, não se imaginava.
Desafios e benefícios do modelo dual do IVA
O modelo dual, de fato, traz desafios extras se comparado ao modelo de IVA único. Mas, ao mesmo tempo, protege as prerrogativas dos estados e municípios, evitando conflitos e incentivando a colaboração federativa.
Principais desafios
- Integração e comunicação entre sistemas federais e estaduais/municipais;
- Definição e aplicação uniforme de alíquotas e regras de crédito;
- Evitar conflitos de interesse e disputas por receitas entre entes;
- Capacitação para adaptar rapidamente processos internos e sistemas fiscais.
Principais benefícios
- Menos burocracia e redução do número de tributos sobre consumo;
- Transparência sobre quanto se paga a cada etapa da cadeia;
- Redução do contencioso e disputas judiciais sobre guerra fiscal;
- Aproximação dos modelos internacionais, facilitando comércio exterior e atração de investimentos.

É verdade que nenhuma mudança desse porte vai agradar todos. Mas especialistas concordam: ao menos simplificar legislação, aumentar a previsibilidade e evitar a bitributação já representa um grande avanço.
Exemplos internacionais: lições do mundo para o Brasil
O modelo de IVA é mundialmente consolidado, sendo base tributária em diversas economias avançadas e emergentes.
- União Europeia: adota o VAT único, mas harmonizado por diretrizes da Comissão Europeia. Isso facilita o trânsito de mercadorias e evita dupla tributação entre países-membros, mas ainda exige sistema de compensação de créditos entre estados.
- Canadá: opera modelo dual, semelhante ao brasileiro, com imposto federal (GST) e provinciais (PSTs). Lá, as províncias e o governo federal compartilham base e fluxos de arrecadação. O resultado foi simplificação e queda de litígios.
- Índia: implementou o GST (Goods and Services Tax) em 2017, também dual. O país enfrentou complexidade na unificação de alíquotas regionais, mas gradualmente colheu ganhos em arrecadação e redução de fraude.
Todos esses exemplos mostram que adaptações são inevitáveis, mas que os ganhos em clareza e integração compensam as dores da transição.

O futuro da gestão tributária: decisões e atitude desde já
A reforma tributária brasileira acende um sinal de alerta, mas também de oportunidades. O IVA coloca novas exigências de controle, governança digital e capacidade de leitura de dados fiscais – e, com isso, abre espaço para tecnologia e inovação.
Para as empresas, nunca a qualidade das informações, a automação de processos e o suporte de parceiros confiáveis foi tão relevante para a tomada de decisão. Soluções como a Evollux Tax Technology reafirmam essa necessidade, colocando inteligência artificial, automação e análise preditiva a serviço da segurança tributária, da geração de créditos e da mitigação de riscos.
A reforma não é fim, é começo de uma nova era.
O tempo de agir é agora. Conheça a Evollux Tax Technology e veja como sua empresa pode se adaptar, aproveitar os créditos fiscais e ganhar confiança diante do novo IVA. Sua gestão tributária nunca mais será como antes.
Perguntas frequentes sobre o IVA na reforma tributária
O que é o IVA na reforma tributária?
O IVA (Imposto sobre Valor Adicionado) é um tributo que incide sobre o valor gerado em cada etapa da produção e comercialização de bens e serviços. Na reforma tributária brasileira, ele será composto por dois impostos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual e municipal). O principal objetivo é simplificar o sistema tributário, eliminar a cobrança em cascata e trazer mais transparência aos custos fiscais das empresas.
Como o IVA vai impactar minha empresa?
O novo modelo transformará a rotina de escrituração fiscal, exigindo maior controle dos créditos tributários gerados nas compras de insumos e matérias-primas. Sua empresa terá de garantir que todas as aquisições estejam bem documentadas, pois só assim será possível aproveitar créditos e reduzir o valor do imposto a pagar nas vendas. Isso deve simplificar obrigações acessórias futuras, mas, no início, pode aumentar a complexidade devido ao período de coexistência dos sistemas antigo e novo. A busca por automação e soluções tecnológicas, como as oferecidas pela Evollux Tax Technology, tende a ser um diferencial para garantir conformidade e oportunidade tributária nesse cenário.
Quando o IVA começa a valer no Brasil?
O IVA brasileiro, por meio da CBS e do IBS, começará a ser implementado em 2026, em fase de transição, com alíquotas reduzidas e testes operacionais. Entre 2027 e 2032, haverá convivência entre o sistema atual e o novo sistema de IVA. A partir de 2033, a transição se encerra e o modelo do IVA passa a vigorar integralmente em todo o Brasil.
Quais impostos serão substituídos pelo IVA?
Serão substituídos cinco tributos: PIS, Cofins, IPI (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal). O novo IVA brasileiro os aglutina sob a CBS e o IBS, simplificando a apuração e promovendo transparência no recolhimento dos impostos sobre consumo.
Como calcular o novo IVA nas empresas?
O cálculo é feito deduzindo os impostos pagos nas compras de insumos do tributo devido nas vendas de produtos ou serviços. Ou seja, a empresa apura quanto de imposto já pagou nas aquisições (créditos) e desconta esse valor do total que teria a pagar sobre o seu faturamento (débito). O valor final recolhido se refere apenas ao “valor adicionado” pela empresa na cadeia. Para ter direito ao crédito, é indispensável registrar e armazenar corretamente todas as notas fiscais eletrônicas recebidas e emitidas. Sistemas modernos de controle fiscal ajudam a garantir precisão nesse cálculo, evitando perda de crédito ou riscos com o Fisco.
